Telejornal na China substitui equipe por Inteligência Artificial

A aplicação da Inteligência Artificial (IA) vai muito além dos chatbots, como o famoso ChatGPT. Na China, por exemplo, a tecnologia tem sido utilizada de forma inovadora, despertando tanto interesse quanto críticas do público.

Recentemente, foi anunciado que a nova âncora de telejornal do jornal estatal, “People’s Daily”, é uma jornalista virtual criada por IA, chamada Ren Xiaoron.

A notícia reforça o avanço e a diversidade de aplicações das novas tecnologias, que vêm gerando debates em todo o mundo.

A novidade no telejornal chinês

Os idealizadores por trás deste projeto informaram à imprensa que a “jornalista-robô” foi programada para fornecer respostas sobre tópicos específicos, tais como educação, saúde, emprego e proteção ambiental. No entanto, sua capacidade de discutir temas controversos ou específicos parece ainda ser limitada.

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Durante sua estréia na televisão, a robô Ren afirmou que foi treinada com habilidades baseadas em “milhares de âncoras”. Além disso, ela se orgulha de estar trabalhando sem interrupções durante 365 dias do ano, informando as notícias 24 horas por dia.

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Mas vale lembrar que, apesar de sua aparente habilidade para fornecer informações precisas e coerentes, a robô não possui a autonomia de um jornalista humano. Em vez disso, ela segue estritamente o script programado e não pode mudar seu discurso durante uma transmissão ao vivo.

Inteligência artificial
Imagem reproduzida de Screenshots – People’s, via Yahoo

A tese de que robôs não vão superar humanos

No maior festival de inovação do mundo, o South by Southwest (SXSW), Greg Brockman, o cofundador da OpenAI, criadora do ChatGPT, afirmou que os robôs não irão superar as pessoas. Sua empresa, apesar de ter sido fundada em 2015, se tornou amplamente conhecida somente em 2022, quando lançou o sistema de Inteligência Artificial ChatGPT, que é capaz de responder a qualquer tipo de pergunta e se aprimora constantemente.

Durante o evento, a OpenAI e suas ferramentas de Inteligência Artificial, especialmente o ChatGPT, foram o grande destaque. No entanto, quando questionado sobre questões de regulação e desemprego causados ​​pela automação, Brockman evitou dar respostas diretas. Veja o que ele disse:

“Estamos bem engajados a conversar com os legisladores sobre regular a Inteligência Artificial, mas não temos todas as respostas. Há um debate acontecendo agora, estamos construindo um novo tipo de Internet.”,

“(Se o ChatGPT vai roubar empregos?) Sim, vai. A questão é quais empregos. Robôs tiram o trabalho manual de algumas pessoas. Mas os humanos são muito mais capazes de fazer coisas que as máquinas. O ChatGPT não está aqui me entrevistando. Ele não tem a capacidade de fazer julgamentos que você tem.”

Outros projetos envolvendo Inteligência Artificial

A China já tinha um jornalista virtual antes de Ren. Em 2019, foi apresentado o primeiro apresentador alimentado por inteligência artificial chamado Guo Guo, que foi programado para se comportar como um repórter da “vida real” chamado Guo Xinyu. Desde então, outros meios de comunicação estatais chineses, como Xinhua, Beijing TV, Hunan TV e CCTV, também tentaram usar essa tecnologia, de acordo com informações do What’s on Weibo.

Além disso, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 em Pequim, um anfitrião virtual e o primeiro apresentador de língua de sinais alimentado por Inteligência Artificial da China foram introduzidos. É evidente que o mundo está explorando o uso de personagens virtuais para se manter na vanguarda da tecnologia. Basta saber se isso não nos levará à mais desinformação, como através da criação de deepfakes para geração de facenews!

O feedback do público chinês

Curiosamente, a resposta do público chinês a esses experimentos foi em grande parte positiva. No entanto, Ren não escapou das críticas. Um usuário questionou por que alguém preferiria usar um robô em vez de um âncora “real” para apresentar as notícias. Além disso, de acordo com artigos recentes publicados na mídia, há uma tendência crescente de robôs substituírem humanos em comerciais de TV; além disso, em apresentações teatrais, shows de música e até desfiles de moda (usando a tecnologia holográfica).

Parece que estamos testemunhando o início de uma revolução tecnológica em que robôs e Inteligência Artificial estão cada vez mais presentes em nossas vidas!


Fontes: Globo, Olhar Digital.

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