Firewatch é um belo game que fala sobre decisões de vida, fuga e solidão – Jogos – Tecnoblog

Os videogames não precisam ter ação e combates frequentes para oferecerem excelentes momentos aos jogadores. Esse é o caso de Firewatch e Disco Elysium, dois games independentes que focam em narrativas profundas em vez de se apoiarem em mecânicas complexas de gameplay. Nas linhas a seguir, te apresento esses dois títulos e conto um pouco das minhas experiências com eles.

Firewatch (Imagem: Divulgação/Campo Santo)

Firewatch é uma verdadeira jornada de autodescoberta

Como falei acima, um jogo não precisa de combate para ser interessante, e essa é a premissa de Firewatch. Com uma narrativa profunda e instigante, o game da Campo Santo é um dos meus indies favoritos. Lembro até hoje do dia que joguei a campanha pela primeira vez: abri o Steam sem muita pretensão e terminei a história quase chorando.

No enredo de cerca de cinco horas, você assume o papel de Henry, um rapaz que decide aceitar um emprego de guarda florestal para fugir de algumas questões da vida — as quais você precisa descobrir por conta própria. Chegando em seu novo posto de trabalho no meio da Floresta Nacional de Shoshone, em Wyoming, EUA, o protagonista conhece sua colega de função, Delilah, que mantém contato por meio de um walkie talkie.

No dia a dia, o dever de Henry é simples: vigiar a floresta e impedir que incêndios aconteçam. Para isso, você conta com um mapa e uma bússola, além da vista privilegiada da sua torre, que fica em um ponto estratégico em meio às árvores. Durante as patrulhas, o protagonista procura sempre conversar com Delilah, sua única companhia na rotina solitária.

Conforme passam os dias, a sua amizade com Delilah cresce cada vez mais, assim como a sua paranoia por ficar sozinho e isolado por muito tempo. Além disso, Henry e Delilah se envolvem em um mistério que desmascara as inseguranças mais íntimas dos dois personagens. Nessa jornada de autodescoberta, você vai se identificar com um dos protagonistas, ou até mesmo com ambos.

Na parte gráfica, Firewatch tem um estilo muito próprio. Mesmo com visual cartunesco, o jogo tem paisagens que tiram o fôlego e relaxam ao mesmo tempo. Vale citar também as atuações de Rich Sommer e Cissy Jones como Henry e Delilah, respectivamente. Os dois são os grandes responsáveis por conectar as experiências e personalidades dos protagonistas ao público.

A trilha sonora composta por Chris Remo é um show a parte. Cada música não só encaixa perfeitamente na ambientação e nos acontecimentos do roteiro, como também aumenta a imersão no mundo de Firewatch, com efeitos de ventania, insetos e outros barulhos da natureza.

Jogar Firewatch foi uma experiência única que eu não esqueço até hoje. Por mais que a história seja bem curta, você consegue criar uma conexão com os protagonistas e se identificar com suas inseguranças. Se você procura uma forma de escapar da dura realidade da vida, mas não quer se isolar no meio da floresta, vale a pena dar uma chance para esse game.

Disco Elysium tem roteiro policial denso e complexo

  • Desenvolvedora: ZA/UM;
  • Plataformas: PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam).

Disco Elysium (Divulgação/ZA/UM)

Continuando na pegada de jogos focados em narrativa, Disco Elysium foi uma grata surpresa que tive recentemente. Ao contrário de Firewatch, cuja história tem um único caminho, Disco Elysium traz elementos de RPGs clássicos à trama, como diferentes rotas e habilidades físicas e sociais que podem evoluir conforme o personagem passa de nível.

No enredo, você é um detetive alcoólatra que acorda em um quarto de hotel sem lembrar a sua própria identidade. Mesmo com amnésia, o protagonista se envolve em um caso no qual um homem foi enforcado e assassinado. Seu dever será explorar a cidade de Revachol, conversar com outros personagens e reunir pistas para encontrar o culpado pelo crime.

Em Disco Elysium, cada momento de diálogo entre dois personagens é valioso — e pode durar muito tempo, como um grande capítulo de livro que nunca acaba. Durante essas longas conversas, você pode escolher diferentes opções de interação para conseguir o que quer, e essas decisões influenciam diretamente no desenvolvimento da história.

Em março deste ano, a produtora ZA/UM aprimorou ainda mais a experiência de Disco Elysium com a versão The Final Cut. Essa edição inclui diversas melhorias técnicas, como suporte a resolução 4K e controles, mas também adiciona novas missões, personagens inéditos, um modo hardcore mais desafiador.

Além disso, o game passa a ser totalmente dublado (em inglês), o que ajuda a entender melhor a personalidade dos cidadãos de Revachol. Não se preocupe com o idioma, porque por mais que as falas sejam em inglês, há legendas disponíveis em português do Brasil.

Com gráficos no estilo isométrico, Disco Elysium conta com visuais que lembram muito uma tela pintada a mão. Sua trilha sonora também vale destaque, pois combina com a atmosfera melancólica do game e potencializa a imersão no enredo.

Disco Elysium não é um jogo tão simples. Ele é relativamente longo e exige bastante atenção, principalmente em diálogos com muito texto. Se você não tiver paciência, é provável que vá se frustar. Porém, se você procura um jogo para mergulhar de cabeça num roteiro complexo sem pressa, vale dar uma chance.

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