7 personalidades negras que inspiraram a ciência e a tecnologia – Cultura – Tecnoblog

Personalidade negras da ciência e tecnologia (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, faz parte do calendário oficial do Brasil desde 2011, comemorado no mesmo dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares. A data pode ser vista não apenas como dia de celebração, mas de reflexão sobre o papel das pessoas negras na sociedade. Para celebrar, vamos apresentar a história de 7 personalidades negras importantes no campo da ciência e tecnologia.

1 – Jaqueline Goes de Jesus

Dra Jaqueline Goes de Jesus
Dra. Jaqueline Goes de Jesus (Imagem: Reprodução/ Instagram)

Podemos começar com Jaqueline Goes de Jesus, a biomédica e pesquisadora baiana de 31 anos, que fez parte da equipe responsável por mapear o sequenciamento do primeiro genoma do coronavírus em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso no país.

O trabalho desenvolvido pela equipe foi importante para mostrar a diferença do vírus detectado no Brasil em relação ao identificado em Wuhan, na China.

Jaqueline recebeu vários prêmios, sendo homenageada em diversas ocasiões pelo trabalho desenvolvido na luta contra o coronavírus.

Ela ainda integra o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genoma e Epidemiologia de Arbovírus, um projeto de monitoração de epidemias com o objetivo de dar respostas em tempo real.

2 – Jerry Lawson

Imagem Jerry Lawson jovem
Jerry Lawson (Imagem: Reprodução)

Para quem curte games, Jerry Lawson é uma pessoa que deve ser lembrada. Lawson foi um dos primeiros negros a trabalhar no Vale do Silício e na indústria dos games, nos anos de 1970.

Ele foi responsável pelos primeiros modelos de jogos em cartuchos, que foram tão importantes nos videogames. Antes da criação de Lawson, uma máquina de games só tinha capacidade de rodar um jogo, que não poderia ser trocado.

Lawson era engenheiro eletrônico e trabalhou na Fairchild Semiconductor, onde criou o console Fairchild Channel F, o primeiro console a utilizar cartuchos que poderiam ser substituídos, lançado em 1976.

O aparelho tinha inovações interessantes como um microprocessador dedicado que permitia a programação de uma inteligência artificial. Dessa forma, não era obrigatório ter outra pessoa para conseguir jogar. Além disso, o Fairchild Channel F contava com uma função “Hold”, que permitia parar os jogos. Algo semelhante ao “Pause” que conhecemos hoje em dia.

Parte de sua história pode ser conferida na série documental GDLK, disponível na Netflix.

3 – William Kamkwamba

Imagem de William Kamwamba
William Kamkwamba (Imagem: Myles Pettengill/Divulgação)

William Kamkwamba é engenheiro e inventor, formado pela Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, mas sua vida nunca foi fácil.

Sua história começa no Malawi, no povoado de Wimbe, um lugar pobre que sofria com uma seca severa. Em 2002 sua família não tinha como pagar seus estudos e William teve que abandonar a escola aos 14 anos.

Mesmo sem condições de ir à escola, William continuou frequentando a biblioteca de um povoado vizinho, onde estudou física e aprendeu como os motores funcionam. Com muito estudo ele conseguiu compreender e desenvolver uma turbina eólica que, aliada a um moinho feito com materiais encontrados em ferros velhos, conseguiu gerar energia para irrigar a plantação de sua família.

A história ficou famosa em 2006, quando publicada pelo jornal The Daily Times. Em 2013, ele entrou para lista da Forbes como uma das pessoas com menos de 30 anos que estão mudando o mundo.

É possível que você tenha visto a história de William, pois ela é representada no filme “O Menino que Descobriu o Vento”, lançado pela Netflix em 2019, inspirado no livro de mesmo nome.

Essa história mostra o poder transformador da educação. Atualmente, William é um empreendedor que divide seu tempo entre os Estados Unidos e o Malawi.

Kamkwamba também coordena um projeto chamado The Moving Windmills, que tem objetivo de desenvolver projetos de perfuração de poços artesianos, instalar bombas movidas a energia solar, renovar escolas e ajudar no desenvolvimento de Kusungu, sua cidade no Malawi.

4 – Dorothy Vaughan

imagem Dorothy Vaughan
Dorothy Vaughan viveu até os 98 anos (Imagem: Reprodução)

Foi bacharel em ciências pela Universidade de Wilberforce, quando se mudou para a cidade de Farmville, na Virginia, para trabalhar como professora de matemática.

Em 1941, o governo norte-americano criou a Ordem 8802. Essa medida proibia discriminação racial, religiosa e étnica. Isso permitiu que pessoas negras e de outras etnias tivessem mais oportunidades de trabalho. É importante lembrar que, neste período, os Estados Unidos viviam um período de muita segregação racial.

Assim, em 1943, Dorothy começou a trabalhar na National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), que no futuro se tornaria a NASA.

Os americanos estavam em plena corrida espacial contra os soviéticos. Por isso, era necessário muita gente para dar conta da demanda de processamento de dados referentes às missões espaciais. Sim, muitos cálculos eram feitos à mão, contando apenas com as capacidades humanas. Era o processamento de dados no modo hard.

Mesmo enfrentando muito preconceito, como o fato de funcionários negros serem obrigados a usarem banheiros e refeitórios separados, Dorothy e sua equipe composta por mulheres negras realizaram um trabalho incrível que teve que ser reconhecido.

Em 1958, quando a agência se transformou em NASA, os cálculos começaram a ser feitos por computadores, Dorothy aprendeu a programar na linguagem Fortran e posteriormente se tornou uma especialista. Dorothy sempre compartilhou seu conhecimento com a equipe e lutou por tratamentos igualitários na agência.

Essas atitudes geraram oportunidades para outras mulheres negras trabalharem em uma área dominada por homens brancos até então.

Dorothy continuou em seu cargo até se aposentar em 1971. Sua história e também a de Katherine Johnson e Mary Jackson pode ser vista no filme Estrelas Além do Tempo. Na obra, a atriz Octavia Spencer assume o papel de Dorothy Vaughan.

5 – Enedina Alves Marques

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Enedina Alves Marques (Imagem: Fundação Palmares)

Enedina Alves Marques foi a primeira mulher negra a se formar como engenheira no Brasil. Enedina era de família humilde e durante a infância teve seus estudos pagos pelo Major Domingos Nascimento Sobrinho, para que ela acompanhasse sua filha.

Enedina se formou, trabalhou como professora até ingressar na Universidade do Paraná em 1940, em uma turma composta por homens brancos.

Ela dividia seu tempo trabalhando como professora de matemática enquanto estudava, concluiu seu curso de engenharia em 1945, tornando-se a primeira mulher a se formar como engenheira no Paraná e a primeira mulher negra a se formar como engenheira no Brasil.

Enedina trabalhou no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná. Fez parte de projetos importantes como o desenvolvimento do Plano Hidrelétrico do Paraná, tendo como maior destaque o projeto da usina Capivari-Cachoeira, atualmente conhecida como Usina Parigot de Souza.

Enedina teve uma carreira sólida, viajou pelo mundo, foi reconhecida como uma grande engenheira. Se aposentou em 1962 e faleceu em 1981.

6 – Patricia Bath

Imagem Patricia Bath
Patricia Bath (Imagem: Reprodução)

Patricia Bath foi a primeira cirurgiã negra da Universidade da Califórnia. Patricia nasceu no bairro do Harlem, em Nova York e ainda adolescente conseguiu uma bolsa pela Fundação Nacional da Ciência (National Science Foundation).

Apesar de enfrentar o racismo e o preconceito por ser mulher, em 1983, ela ajudou a fundar o programa de residência em oftalmologia da Universidade da Califórnia, sendo nomeada como presidente — a primeira mulher nos Estados Unidos a ocupar tal cargo.

Durante os anos de 1980, Patricia participou de pesquisas sobre o uso do laser para tratamentos na oftalmologia. Em 1988, ela desenvolveu a patente da “Laserphaco Probe” um tipo de cirurgia de catarata menos dolorosa que utiliza laser e recuperou a visão de pacientes cegos há décadas.

Patricia criou outras cinco patentes até se aposentar em 1993, mas continuou a rodar o mundo participando de palestras visando orientar estudantes de medicina interessados em ciência e tecnologia.

7 – Mark Dean

Imagem de Mark Dean
Mark Dean (Imagem: Reprodução)

Mark Dean é cientista da computação, engenheiro e inventor. Em 1979, pouco tempo após se graduar em engenharia elétrica na Universidade do Tennessee, Dean foi contratado pela IBM e com seu colega Dennis Moeller, foi responsável pela criação do barramento ISA, que veio a se tornar o padrão da indústria de computadores na época.

Essa criação permitiu que computadores fossem conectados diretamente a dispositivos externos como impressoras e monitores de forma simples.

Dean também liderou a equipe responsável pelo design do primeiro computador pessoal da IBM, o que também lhe garantiu três das nove patentes do aparelho.

Em 1996, ele foi o primeiro afro-americano a se tornar sócio da IBM e em 1999, promoveu um avanço importante, quando Dean e sua equipe desenvolveram o primeiro chip capaz de operar gigahertz.

A inovação possibilitou que computadores pudessem processar bilhões de cálculos por segundo, permitindo o processamento de informações de forma muito mais rápida, quebrando barreiras consideradas impensáveis por fabricantes e engenheiros.

Um longo caminho pela frente

Embora não seja mencionado em todas as biografias, todas as personalidades negras citadas neste texto precisaram encarar não apenas os desafios de suas carreiras profissionais, mas também enfrentar situações de discriminação ou desconfiança sobre suas capacidades, unicamente por serem negras. Contudo, apesar das dificuldades, elas conseguiram se tornar referências em suas áreas.

O mundo está mudando, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que a sociedade tenha mais espaços e oportunidades iguais.

Com informações: NASA, William Kamkwamba,Biography

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