Quem são os cinco maiores doadores da campanha eleitoral

Mais de R$ 127 milhões foram doados, por pessoas físicas, para campanhas de candidatos; ex-secretário do governo Bolsonaro e ex-presidente do Banco Central integram o ranking

PixabayEm 2019, uma resolução do TSE regulamentou as doações de pessoas físicas para despesas de campanha

Mais de R$ 127,7 milhões foram doados, por pessoas físicas, para campanhas de candidatos nas eleições 2022. O dado é do Ranking de Doadores e Fornecedores, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nele, estão ranqueados os 100 maiores doadores, além do valor destinado por cada um deles e a quantidade de doações. Recursos privados podem ser usados para apoiar campanhas. Em 2019, uma resolução da Justiça Eleitoral regulamentou as doações de pessoas físicas para despesas de campanha. Por outro lado, empresas estão proibidas de doar desde 2015, quando a reforma eleitoral foi aprovada pelo Congresso Nacional. As fontes que podem “abastecer” as campanhas são os próprios recursos dos candidatos, doações de pessoas físicas, doações de outros partidos e candidatos, comercialização de bens e serviços ou promoção de eventos de arrecadação ou rendimentos gerados pela aplicação do dinheiro previamente arrecadado. Em relação às doações de pessoas físicas, o procedimento deve ser realizado por meio de transferência bancária, com identificação do número do CPF do doador.

O campeão de doações é o empresário José Salim Mattar Junior, ex-secretário de Desestatização e Privatização do governo Bolsonaro. Até a noite da quinta-feira, 1º, ele havia doado R$ 2.825.000 para 21 campanhas diferentes. A maior doação feita por Salim Mattar, de R$ 250 mil, foi para nove candidatos. Entre eles está o deputado federal Alexis Fonteyne (Partido Novo-SP), que busca se reeleger no cargo, e o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo de Aquino Salles (PL), que também é candidato a Câmara dos Deputados. Para outros três candidatos, o empresário doou R$ 100 mil. Outros dois candidatos receberam R$ 50 mil para as despesas de campanha. Além deles, Mattar fez sete doações de R$ 25 mil. Um dos candidatos beneficiados é Deltan Dallagnol (Podemos), que coordenou a Operação Lava Jato, e que agora também concorre por uma cadeira de deputado federal pelo Paraná.

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A segunda posição do ranking de maiores doadores é ocupada pelo empresário gaúcho Heitor Vanderlei Linden, vice-presidente da Calçados Beira-Rio. Linden destinou R$ 2,6 milhões para apenas uma campanha: a de seu sócio, Roberto Argenta (PSC), presidente da empresa. Argenta disputa o cargo de governador do Rio Grande do Sul. Segundo o portal do TSE, Heitor fez duas transferências bancárias para o postulante ao Palácio do Piratini: uma de R$ 2 milhões e outra de R$ 600 mil.

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Já na terceira colocação aparece o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente dos conselhos de administração da Cosan e da operadora logística Rumo. Em 2021, ele foi considerado pela revista Forbes como um dos dez maiores bilionários brasileiros, com um patrimônio estimado de R$ 46 bilhões. No entanto, a bolada destinada para 20 campanhas de candidatos e uma para a Direção Estadual do PL do Mato Grosso foi de apenas R$ 2,1 milhões. Para a Direção do PL, ele doou R$ 100 mil. Contudo, o destaque vai para a bolada de R$ 200 mil (a maior feita pelo empresário) enviada ao candidato a governador de São Paulo, Tarcísio Gomes (Republicanos). O montante equivale a cerca de 10% do total arrecadado até aqui pela equipe do bolsonarista. Além do ex-ministro da Infraestrutura do governo federal, Ricardo Salles também aparece na lista de beneficiados, tendo recebido R$ 50 mil.

O quarto maior doador, de acordo com o TSE, é o banqueiro brasileiro Candido Bracher. Ele destinou R$ 1.541.811,58 a 18 campanhas diferentes. Deste valor, a maior quantia, de pouco mais de R$ 133 mil foi para Vinicius Marchese (PSD), candidato a deputado federal por São Paulo. Outros 11 candidatos receberam R$ 100 mil de Bracher. Destaque também para os R$ 50 mil enviados ao ex-deputado federal e ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (União), que concorre ao Senado pelo Mato Grosso do Sul.

Na quinta posição está o economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto, que destinou R$ 1,34 milhão para 22 candidatos. A maior delas, de R$ 200 mil, foi feita para o candidato a governador do Rio de Janeiro, Marcelo Ribeiro Freixo (PSB). Ele também destinou R$ 100 mil para outros candidatos, R$ 60 mil para um candidato, R$ 50 mil para 12 candidatos, além de outros candidatos que receberam valores inferiores.



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