Produtores de soja perdem até 75% da produção na Região Sul

Com dias cada vez mais quentes e pouca precipitação, os maiores produtores de soja da região Sul do Brasil fazem contas amargas. 

No Paraná, por exemplo, a estimativa é que 75% das lavouras registrem perda total ou produzam apenas a metade.

Áreas em que a colheita já começou têm perdas consolidadas no Paraná. Alguns agricultores relatam perdas de até 95% em produtividade. De quarenta sacas por hectare, estão colhendo duas.

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O produtor Cévio Mengarda, da região oeste no estado, afirma que ali há áreas que nem serão colhidas. “Uma região um pouco mais à frente de Marechal Cândido Rondon, Nova Santa Rosa, Palotina, teve um período de 60 dias sem nenhuma precipitação. E, para agravar ainda mais, além da falta de chuva, a gente teve dias com 45 ºC, com raios solares intensos. Não tem cultura que aguente. Imagina como fica a situação do produtor”, diz.

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A Associação dos Produtores de Soja do Paraná afirma que a estiagem atingiu todas as regiões do estado, e que poucas propriedades vão confirmar a produtividade esperada. “Normal é 5% a 8%. Vamos falar de produtividade média, vamos falar de 12%, 15%. O restante é quebra, quebra acima de 50%. Nós estamos falando em 75% de quebra. A situação é muito preocupante”, diz João Batista Cunha Júnior, membro do Conselho Fiscal da Aprosoja Paraná

No último levantamento, divulgado na primeira semana de 2022, o Departamento de Economia Rural (Deral), do Paraná, calculou uma quebra de 37,8% na safra de soja. A previsão inicial de volume de produção no estado era de pouco mais de 21 milhões de toneladas. Os números atuais estão em 13 milhões.

“As commodities são matéria-prima básica para a produção de ração e os animais, seja suíno, gado de leite, aves, se alimenta dessa ração. Com certeza passaremos por dificuldades. A carne é a principal fonte de proteína para o ser humano, a carne de frango é uma fonte de proteína barata. Com certeza terá um impacto para o consumidor final”, complementa Cévio Mengarda.

No fim do ano, o Paraná decretou estado de calamidade por conta da seca.

No Rio Grande do Sul, mais de 120 municípios já emitiram decretos de situação de emergência. As áreas mais afetadas são as regiões norte e noroeste gaúcho.

“Aqui tem uma área que nós plantamos no dia 25 de outubro. De lá para cá, choveu apenas 10 milímetros. Está muito crítica a situação. Não tem mais o que fazer. É uma área perdida. São 20 hectares de terra que se foram”, diz o produtor Vercilei Haclenhaar, de Espumoso, no Rio Grande do Sul.

Segundo a Emater-RS, a estiagem impediu a semeadura em 7% das lavouras de soja, cerca de 440 mil hectares.

A colheita começa em março, mas a perda estimada já é de 30% em relação aos 20 milhões de toneladas previstos.

“São mais de 6 milhões de toneladas na safra. É um prejuízo superior de R$ 16 bilhões, é um impacto negativo na economia. E esse resultado pode ser multiplicado por três em outras áreas da economia do estado, com isso é possível ver o rombo nas contas do estado”, afirma Décio Teixeira, presidente da Aprosoja-RS

O presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Eduardo Bonotto, convocou os 497 prefeitos do estado para um debate que busca soluções rápidas para as cidades atingidas pela estiagem nesta segunda-feira (10).

A reunião aconteceu no auditório da Famurs, com a participação dos presidentes das associações regionais de forma presencial e com os prefeitos de forma virtual. Além da estiagem, foram debatidos temas como: dívidas da agricultura, zoneamento agrícola, linhas de crédito, licenciamento ambiental e detalhes do programa avança na agricultura.

De acordo com Bonotto, que é prefeito de São Borja, a prefeitura decretou situação de emergência em razão da estiagem na última segunda-feira, a falta d’água preocupa em relação ao dano humano, assim como os prejuízos para a agropecuária do estado.

Com isso, a Famurs colocou à disposição toda sua equipe técnica aos municípios atingidos pela seca. A Federação está desenvolvendo um relatório com a necessidade das famílias, como cestas básicas, investimentos para perfuração dos poços e recursos para o transporte de água para reverter este grave cenário provocado pela seca.

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