“Um bom professor precisa de gostar de estudar”

Para ser um educador bem-sucedido, não basta formação acadêmica, mas experiência consistente, no dia a dia da sala de aula. Essas premissas formam consenso entre especialistas da área educacional.

Além de um bom currículo e possuir uma boa gestão, “um bom professor precisa gostar de estudar”, assinala Daniel Barros, em seu livro “País mal-educado”, ao classificar a qualidade dos docentes como o fator ‘mais significativo’ no processo de aprendizagem.

Ao reconhecer que, no país hoje, a remuneração ‘está longe’ de ser uma motivação para a carreira no magistério, Barros entende que a decisão de querer se tornar professor no país é ‘muito menos criteriosa’ do que, por exemplo, para quem aspira ser advogado, engenheiro, enfermeiro ou médico.

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“Se o objetivo é ter uma educação básica de qualidade, ainda não encontramos o caminho, pois há algo de muito errado na forma como preparamos e selecionamos nossos educadores”, afirma o escritor, ao criticar o fato de que “as licenciaturas falham no cumprimento do seu papel mais elementar: ensinar a ensinar”.

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Na visão da professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Maria da Assunção Calderano, existe “um abismo entre a academia e a educação básica, pois os acadêmicos muitas vezes passam direto da graduação para o mestrado, depois para o doutorado e aí se tornam formadores de professor, sem que eles mesmos tenham tido experiência relevante no chão da escola”.

Diante da constatação de que “uma formação assim, tende a não oferecer bons resultados”, a professora da UFJF avalia que é fundamental “uma discussão profunda sobre o que se ensina nos cursos de professores”, com a ressalva que “mexer com a autonomia das universidades no Brasil, é um desafio que os ministros não têm se disposto a enfrentar”.

“Como não há um país em que os alunos aprendam mais do que seus professores são capazes de ensinar”, Maria da Assunção observa que o que se colhe é um baixo rendimento educacional, emendando que “punir professores faltosos com perda de remuneração tem impacto significativo na aprendizagem, mas ai do gestor que se atreva a querer fazê-lo”.

A professora da UFJF assinala que embora esteja “estruturada em dez competências, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), “está estruturada a partir de dez competências que dialogam com os conceitos socioemocionais”, ao condicionar que, para a educação acontecer, “o maior desafio é ensinar os professores a desenvolver essas habilidades pedagogicamente”.

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