Produtores de soja de MT e PR já antecipam compras da safra 22/23

Com a alta crescente nos custos de produção da soja e o provável encarecimento de insumos na safra 2022/2023 devido ao possível desabastecimento chinês, os produtores têm buscado soluções para driblar os desafios. Esse foi o destaque do sétimo episódio do programa Aliança da Soja.

Em propriedade em Primavera do Leste, em Mato Grosso, a 200 km de Cuiabá, por exemplo, os insumos para a safra 2021/2022 já estão garantidos. Foi isso o que contou o produtor rural Canísio Froelich, que iniciou a semeadura em 22 de setembro e tem a expectativa de manter a média do ciclo anterior, com 62 sacas por hectare.

Foto: Pixabay

De acordo com levantamento na região feito pelo próprio agricultor, o fertilizante teve aumento de 150% na região de 2020 para este ano, ao passo em que a semente teve acréscimo de 65% e os defensivos, alta de 15% a 20%.

“Para fazer uma compra antecipada de insumos, são avaliados dois fatores básicos: o preço futuro da soja e o preço do insumo necessário para a produção do grão. Como neste ano o preço da soja estava acima da média e o do insumo dentro da média, já fizemos a compra para esse plantio”, destaca.

De acordo com a CVale, cooperativa que atende produtores da região Sul e Centro-Oeste, cerca de 80% dos 24 mil cooperados anteciparam a compra de defensivos agrícolas. De março até outubro, foi registrado um aumento de 47% no preço dos insumos.

Estimativa de produção

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que a estimativa de produção para o estado é de 37,41 milhões de toneladas e a área plantada é de 10,84 milhões de hectares. Para esta safra, o órgão aponta, ainda, aumento de 22% nos custos de produção em Mato Grosso em comparação com o ciclo 20/21.

“Entre novembro e dezembro, quando o produtor estava semeando a última safra, há uma diferença de mais de 100% no custo, dependendo do insumo. Em relação aos macronutrientes, a diferença é de 106% em comparação ao começo desse ano para agora”, enfatiza o superintendente do Imea, Cleiton Gauer. “O produtor que conseguiu se antecipar e se organizar nas compras em um momento que tinha uma conjuntura mais favorável, aproveitou uma diferença bastante significativa que vai acabar pesando na rentabilidade final”, completa.

Soja no Paraná

No norte do Paraná, em Sertanópolis, o produtor Milton Martinez garantiu desde o ano passado 90% dos insumos da safra 21/22, compra antecipada que gerou cerca de 20% de economia. A alta nos preços fez com que ele adiantasse a compra de glifosato, adubo e herbicida para a temporada 22/23. “É importante antecipar as compras porque se aparece um contrato futuro, temos condição de saber se vamos arcar ou não porque já temos o custo de produção fixado. Nessa safra 21/22, meu custo é em torno de 60,5 sacas de soja por hectare”, explica.

Segundo ele, a provável falta ou alta muito significativa de glifosato e de alguns herbicidas e fertilizantes foi determinante para que adquirisse os produtos para a safra 22/23, mesmo sem ainda nem ter concluído a semeadura da atual temporada.

Projeção 21/22

O Departamento de Economia Rural (Deral) estima produção de soja para o Paraná em 20,95 milhões de toneladas, com área plantada de 5,619 milhões de hectares. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CMA), o aumento de produção para o atual ciclo em comparação com a safra 20/21 é de 35% no estado.

O vice-presidente da Coocamar, José Cícero Aderaldo, explica as alternativas para que o produtor paranaense possa planejar a sua safra. “O nosso cooperado tem duas possibilidades: comprar os insumos da cooperativa de maneira antecipada, normalmente em março e abril, e pagar por meio da rede bancária, contraindo um custeio agrícola e efetuando o pagamento à vista no momento em que vai retirar os insumos. Outra forma é utilizar uma linha de crédito que a própria cooperativa oferece e permite a ele fazer o pagamento no ano seguinte, depois que ele colher a sua produção, em abril ou maio”, detalha.

Aderaldo lembra que, normalmente, quando o produtor está começando a colheita da soja, ele já planeja o plantio do ciclo seguinte. “Ele passa a avaliar o que deu certo e o que deu errado na safra. O que o direciona a comprar antecipadamente ou não é a relação de troca, ou seja, de um lado oferecemos o preço dos insumos agrícolas e, do outro, a oportunidade de venda antecipada de parte da produção dele. Assim, ele vai calcular quantas sacas de soja são necessárias para pagar aquele insumo que ele está adquirindo. Quando essa conta é favorável, ele decide fazer a compra e quando não é, opta por postergá-la”, conta.

O programa Aliança da Soja é uma parceria entre o Canal Rural e a Plataforma Intacta 2 Xtend e exibido às segundas-feiras, às 13h35, com reprise às terças-feiras, às 6h30.

 

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