No Brasil, 31% dos empreendimentos rurais têm programas de sucessão

A sucessão familiar é um dos maiores desafios dos negócios ligados à agropecuária e administrados por membros da própria família.

Sucessão no campo. Foto: Pixabay

No entanto, apenas 31% dos grandes empreendimentos familiares rurais no Brasil se preocuparam em criar um programa próprio de treinamento para as novas gerações, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e pela consultoria KPMG.

O dado é importante porque, dos empreendimentos que participaram da pesquisa, a maior parte (80%) tem o controle exercido por uma ou mais famílias.

O levantamento ouviu 367 representantes de empreendimentos rurais de grande porte do chamado elo “dentro da porteira” – ou seja, de produção agrícola e pecuária – de todas as regiões do Brasil.

“Quando as próximas gerações vão assumindo o negócio, o processo decisório vai dependendo cada vez menos só do sócio principal”, diz Giovana Araújo, sócia-líder de Agronegócio da KPMG.

Conselho de Família

Segundo ela, à medida que o negócio vai passando para as próximas gerações, se torna cada vez mais presente a existência de um conselho de família, estrutura de governança que tem ajudado na tomada de decisões – incluindo o próprio planejamento da sucessão. “E, quando há o conselho de família, observamos a implementação de programas de treinamento das próximas gerações com mais frequência.”

De acordo com a pesquisa, 29% dos empreendimentos rurais familiares possuem conselho de família formalizado, enquanto outros 11% possuem algum outro fórum de discussão familiar.

“Por muito tempo, as grandes empresas do agronegócio listadas na Bolsa de Valores foram a única fonte de informação sobre a maturidade da governança na agropecuária. Com essa pesquisa, quisemos colocar uma lupa no elo ‘dentro da porteira’, que é o coração do setor”, diz Giovana.

Falta de informações e medo de burocracia

A pesquisa indica que, no geral, a governança corporativa é conhecida e valorizada entre empreendedores da agropecuária. De acordo com o estudo, 85% consideram a governança importante ou muito importante para seu negócio. Apesar disso, a adoção das chamadas boas práticas ainda enfrenta desafios.

Dos empreendimentos rurais pesquisados, 55% não contam com acordo de sócios formalizado, por exemplo. A maior barreira para os produtores rurais é a falta de informações e de referências de boas práticas para o agronegócio, citada por 35% dos entrevistados. Logo em seguida, aparecem o receio de criar burocracia (33%), o receio de aumentar os custos (32%) e a descentralização do poder de decisão (28%).

Entre as práticas de governança adotadas pelos empreendimentos, aparecem a existência de uma diretoria executiva (56%), a realização de assembleia ou reunião anual dos sócios (55%), o estabelecimento de políticas de remuneração dos sócios (58%) e a prestação de contas formal aos sócios ou conselho (53%).

Segundo Luiz Martha, gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC, a sondagem traz uma surpresa positiva em relação às práticas já adotadas pelos empreendimentos.

No entanto, ele afirma que ainda há um amadurecimento a ser atingido. “Apesar de 79% afirmarem existir instâncias de tomada de decisão, em 47% dos casos a decisão é tomada apenas pelo principal sócio, consultando ou não outros sócios. Talvez o sistema esteja implementado, existam estruturas, mas ainda não estão em prática 100%”, afirma.

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