Canal no YouTube recebeu acesso privilegiado ao Palácio do Planalto


Enquanto os poucos veículos da mídia alternativa do Brasil tentam sobreviver em meio aos ataques de todos os lados e as dificuldades para rentabilização dos seus negócios, alguns canais privilegiados não estão passando por uma situação tão complicada.  

Mais de 1 mil páginas do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga a realização de manifestações com pautas antidemocráticas foram obtidas pelo jornal Estadão

De acordo com o jornal, um seleto grupo de youtubers alinhados ao presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu acesso privilegiado ao Palácio do Planalto. 

Como o procurador-geral da República, Augusto Aras, não mencionou a participação do presidente no pedido de abertura de investigação, Bolsonaro não é investigado no inquérito. 

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o técnico de informática Anderson Rossi, dono do canal Foco do Brasil, no YouTube, admitiu ter recebido orientações de funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e TV Brasil. 

O youtuber disse ter recebido autorização para obter, como se fosse uma emissora de televisão, as imagens de Bolsonaro e de eventos oficiais gerados pelo satélite Amazonas 3

Rossi disse à PF que “recebeu as informações técnicas de como acessar o satélite” do gerente de operações da EBC, identificado por ele apenas como “Bill”.  

Rossi também disse ter recebido, através de um funcionário da TV Brasil, as senhas de acesso às imagens feitas pela emissora pública. 

Procurada pela reportagem do Estadão, a EBC explicou que o satélite Amazonas 3 é um canal de serviço disponível de forma aberta aos veículos de imprensa. 

Segundo relatório da PF, Rossi faturou US$ 330 mil — cerca de R$ 1,8 milhão — com a monetização do canal no período de março de 2019 a março de 2020. 

É importante ressaltar que este valor não é ilícito, visto que o conteúdo foi rentabilizado através da plataforma Google AdSense.  

Ainda de acordo com o inquérito, o assessor especial da Presidência da República, Tércio Arnaud Tomaz, é apontado no inquérito dos atos antidemocráticos como elo entre o governo e os youtubers. 

Segundo disse em depoimento à PF, Tércio repassa vídeos do presidente e participa de grupo de WhatsApp com os youtubers apoiadores para “discutir questões do governo”. 

Dono de outra franquia bem rentável entre os canais alinhados a Bolsonaro no YouTube, Ernani Fernandes Barbosa Neto, proprietário da Folha Política, disse à PF ter faturado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês. 

Segundo o jornal Estadão, ao lado da mulher, ele opera os negócios, que incluem uma espécie de incubadora de novos perfis.  

A dupla também é dona de empresas que já prestaram serviços de marketing a políticos alinhados a Bolsonaro. 



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